{"id":98,"date":"2026-10-27T16:06:00","date_gmt":"2026-10-27T16:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/blog\/penhora-do-ordenado-limite\/"},"modified":"2026-10-27T16:06:00","modified_gmt":"2026-10-27T16:06:00","slug":"penhora-do-ordenado-limite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/blog\/penhora-do-ordenado-limite\/","title":{"rendered":"Penhora do ordenado: qual \u00e9 o limite?"},"content":{"rendered":"<aside class=\"resposta-rapida\">\n<h2>Resposta r\u00e1pida<\/h2>\n<ul>\n<li>Regra geral: s\u00e3o impenhor\u00e1veis <strong>dois ter\u00e7os<\/strong> do sal\u00e1rio l\u00edquido. S\u00f3 pode ser penhorado <strong>um ter\u00e7o<\/strong> (C\u00f3digo de Processo Civil, art. 738.\u00ba, n.\u00ba 1).<\/li>\n<li>A parte que fica sempre consigo tem um <strong>m\u00ednimo de um sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional<\/strong>, se n\u00e3o tiver outro rendimento, e um <strong>m\u00e1ximo de tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos<\/strong> (art. 738.\u00ba, n.\u00ba 3).<\/li>\n<li>Em 2026, no continente, o sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 de <strong>920 \u20ac<\/strong> (DL n.\u00ba 139\/2025). O m\u00ednimo protegido \u00e9, por isso, 920 \u20ac e o m\u00e1ximo 2 760 \u20ac.<\/li>\n<li>Se a d\u00edvida for de <strong>pens\u00e3o de alimentos<\/strong>, estes limites n\u00e3o se aplicam: s\u00f3 fica protegido o valor da pens\u00e3o social do regime n\u00e3o contributivo (art. 738.\u00ba, n.\u00ba 4).<\/li>\n<li>O juiz pode, a pedido do devedor, <strong>reduzir<\/strong> a parte penhor\u00e1vel ou at\u00e9 isent\u00e1-la por um per\u00edodo at\u00e9 um ano (art. 738.\u00ba, n.\u00ba 6).<\/li>\n<\/ul>\n<\/aside>\n<p>Quando o ordenado vai ser penhorado, a primeira pergunta \u00e9 quase sempre a mesma: quanto me podem tirar por m\u00eas? A lei portuguesa d\u00e1 uma resposta concreta, com uma percentagem e dois limites ligados ao sal\u00e1rio m\u00ednimo. Neste artigo explicamos como se faz a conta, com base no C\u00f3digo de Processo Civil e no decreto-lei que fixou o sal\u00e1rio m\u00ednimo de 2026, consultados a 27 de outubro de 2026.<\/p>\n<p>Se a penhora vem das Finan\u00e7as ou da Seguran\u00e7a Social, leia tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/asesor.legal\/pt\/blog\/penhora-financas-seguranca-social\/\">o que fazer perante uma penhora das Finan\u00e7as ou da Seguran\u00e7a Social<\/a>.<\/p>\n<h2>Quanto podem penhorar do meu ordenado?<\/h2>\n<p>Em regra, um ter\u00e7o do sal\u00e1rio l\u00edquido. O C\u00f3digo de Processo Civil diz que \u00abs\u00e3o impenhor\u00e1veis dois ter\u00e7os da parte l\u00edquida dos vencimentos, sal\u00e1rios, presta\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas pagas a t\u00edtulo de aposenta\u00e7\u00e3o ou de qualquer outra regalia social, seguro, indemniza\u00e7\u00e3o por acidente, renda vital\u00edcia, ou presta\u00e7\u00f5es de qualquer natureza que assegurem a subsist\u00eancia do executado\u00bb (<a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=1959&amp;artigo_id=1959A0738\" rel=\"noopener\">CPC, art. 738.\u00ba, n.\u00ba 1<\/a>).<\/p>\n<p>A mesma regra vale para pens\u00f5es de reforma, outras presta\u00e7\u00f5es sociais peri\u00f3dicas, indemniza\u00e7\u00f5es por acidente pagas em renda e outros rendimentos que assegurem a subsist\u00eancia. Mas os dois ter\u00e7os n\u00e3o s\u00e3o a \u00faltima palavra: a lei acrescenta um m\u00ednimo e um m\u00e1ximo, que explicamos a seguir.<\/p>\n<h2>O que conta como \u00abparte l\u00edquida\u00bb do sal\u00e1rio?<\/h2>\n<p>\u00c9 o sal\u00e1rio depois dos descontos obrigat\u00f3rios por lei, e s\u00f3 desses. A lei diz que, para apurar a parte l\u00edquida, \u00abapenas s\u00e3o considerados os descontos legalmente obrigat\u00f3rios\u00bb (art. 738.\u00ba, n.\u00ba 2). Na pr\u00e1tica, isto abrange descontos como a reten\u00e7\u00e3o na fonte de IRS e as contribui\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias para a Seguran\u00e7a Social.<\/p>\n<p>Descontos volunt\u00e1rios, como um seguro de sa\u00fade que escolheu fazer pelo empregador ou a presta\u00e7\u00e3o de um cr\u00e9dito descontada no recibo, n\u00e3o reduzem a base de c\u00e1lculo. A conta faz-se sobre o l\u00edquido legal, n\u00e3o sobre o valor que efetivamente lhe chega \u00e0 conta.<\/p>\n<h2>Existe um m\u00ednimo que n\u00e3o pode ser penhorado?<\/h2>\n<p>Sim. Se n\u00e3o tiver outro rendimento, fica sempre com pelo menos o equivalente a um sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional. A lei fixa para a impenhorabilidade um \u00ablimite m\u00e1ximo o montante equivalente a tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos nacionais \u00e0 data de cada apreens\u00e3o e como limite m\u00ednimo, quando o executado n\u00e3o tenha outro rendimento, o montante equivalente a um sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional\u00bb (<a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=1959&amp;artigo_id=1959A0738\" rel=\"noopener\">art. 738.\u00ba, n.\u00ba 3<\/a>).<\/p>\n<p>Em 2026, a retribui\u00e7\u00e3o m\u00ednima mensal garantida no continente \u00e9 de 920,00 \u20ac (<a href=\"https:\/\/files.diariodarepublica.pt\/1s\/2025\/12\/24900\/0001400016.pdf\" rel=\"noopener\">Decreto-Lei n.\u00ba 139\/2025, de 29 de dezembro, art. 3.\u00ba<\/a>), com efeitos desde 1 de janeiro de 2026. Assim, em 2026 e no continente:<\/p>\n<ul>\n<li>o <strong>m\u00ednimo protegido<\/strong> \u00e9 de 920 \u20ac (1 \u00d7 920 \u20ac);<\/li>\n<li>o <strong>m\u00e1ximo protegido<\/strong> \u00e9 de 2 760 \u20ac (3 \u00d7 920 \u20ac).<\/li>\n<\/ul>\n<p>Isto responde a uma d\u00favida frequente: <strong>n\u00e3o pode haver penhora abaixo do ordenado m\u00ednimo<\/strong> quando o sal\u00e1rio \u00e9 o \u00fanico rendimento. Se ganha 920 \u20ac l\u00edquidos ou menos e n\u00e3o tem outros rendimentos, a regra geral n\u00e3o permite penhorar nada desse sal\u00e1rio. O limite m\u00ednimo depende de \u00abn\u00e3o ter outro rendimento\u00bb; se tiver outras fontes de rendimento, a prote\u00e7\u00e3o m\u00ednima pode n\u00e3o se aplicar da mesma forma.<\/p>\n<p>O decreto-lei de 2026 aplica-se ao territ\u00f3rio continental. Nos A\u00e7ores e na Madeira h\u00e1 valores regionais pr\u00f3prios; se vive numa regi\u00e3o aut\u00f3noma, confirme com o agente de execu\u00e7\u00e3o ou com um advogado que valor foi usado no c\u00e1lculo.<\/p>\n<h2>Como se calcula a penhora do ordenado: tabela com exemplos<\/h2>\n<p>A conta faz-se em tr\u00eas passos: calcula os dois ter\u00e7os do l\u00edquido; se der menos do que um sal\u00e1rio m\u00ednimo, fica protegido um sal\u00e1rio m\u00ednimo; se der mais do que tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos, fica protegido o valor de tr\u00eas. O que sobra \u00e9 a parte penhor\u00e1vel.<\/p>\n<div class=\"tabela\">\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Sal\u00e1rio l\u00edquido mensal<\/th>\n<th>2\/3 do l\u00edquido<\/th>\n<th>Valor protegido (2026, continente)<\/th>\n<th>Parte penhor\u00e1vel<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>900 \u20ac<\/td>\n<td>600 \u20ac<\/td>\n<td>900 \u20ac (todo o sal\u00e1rio, abaixo do m\u00ednimo de 920 \u20ac)<\/td>\n<td>0 \u20ac<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1 200 \u20ac<\/td>\n<td>800 \u20ac<\/td>\n<td>920 \u20ac (sobe ao m\u00ednimo)<\/td>\n<td>280 \u20ac<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>1 800 \u20ac<\/td>\n<td>1 200 \u20ac<\/td>\n<td>1 200 \u20ac (entre o m\u00ednimo e o m\u00e1ximo)<\/td>\n<td>600 \u20ac<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>4 500 \u20ac<\/td>\n<td>3 000 \u20ac<\/td>\n<td>2 760 \u20ac (desce ao m\u00e1ximo)<\/td>\n<td>1 740 \u20ac<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p class=\"nota\">Exemplos apenas ilustrativos, calculados com a f\u00f3rmula do art. 738.\u00ba, n.os 1 e 3, do CPC e o sal\u00e1rio m\u00ednimo de 920 \u20ac fixado para o continente em 2026. Partem do princ\u00edpio de que o sal\u00e1rio \u00e9 o \u00fanico rendimento, de que a d\u00edvida n\u00e3o \u00e9 de alimentos e de que o juiz n\u00e3o reduziu a penhora. O agente de execu\u00e7\u00e3o ou o \u00f3rg\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o fiscal faz o c\u00e1lculo em concreto.<\/p>\n<p>Repare no \u00faltimo exemplo: quem ganha muito acima da m\u00e9dia pode ver penhorado bem mais do que um ter\u00e7o, porque a parte protegida tem um teto.<\/p>\n<h2>E os subs\u00eddios de f\u00e9rias e de Natal?<\/h2>\n<p>O art. 738.\u00ba n\u00e3o tem uma regra espec\u00edfica para os subs\u00eddios de f\u00e9rias e de Natal. Diz apenas que o limite m\u00e1ximo de tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos se mede \u00ab\u00e0 data de cada apreens\u00e3o\u00bb. A forma como o m\u00eas em que \u00e9 pago o subs\u00eddio entra na conta pode, por isso, gerar discord\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Se no m\u00eas do subs\u00eddio o desconto lhe parecer superior ao que a lei permite, pe\u00e7a ao agente de execu\u00e7\u00e3o, ou ao servi\u00e7o de Finan\u00e7as se a penhora for fiscal, o c\u00e1lculo detalhado. Se continuar a discordar, este \u00e9 um bom momento para pedir a opini\u00e3o de um advogado, porque os prazos para reagir s\u00e3o curtos.<\/p>\n<h2>Penhora por pens\u00e3o de alimentos: regras diferentes<\/h2>\n<p>Quando a d\u00edvida \u00e9 de alimentos, por exemplo pens\u00f5es em atraso devidas a um filho, os limites que vimos acima n\u00e3o se aplicam. A lei diz que, nesse caso, \u00ab\u00e9 impenhor\u00e1vel a quantia equivalente \u00e0 totalidade da pens\u00e3o social do regime n\u00e3o contributivo\u00bb (<a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=1959&amp;artigo_id=1959A0738\" rel=\"noopener\">art. 738.\u00ba, n.\u00ba 4<\/a>).<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, numa execu\u00e7\u00e3o por alimentos pode ser penhorada uma parte do sal\u00e1rio muito maior do que um ter\u00e7o, ficando protegido apenas o valor daquela pens\u00e3o social. O valor da pens\u00e3o social \u00e9 atualizado periodicamente; confirme o valor em vigor junto da Seguran\u00e7a Social ou do agente de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Posso pedir para reduzir a penhora do ordenado?<\/h2>\n<p>Pode, ao juiz, e \u00e9 uma medida excecional. O CPC permite que, \u00abponderados o montante e a natureza do cr\u00e9dito exequendo, bem como as necessidades do executado e do seu agregado familiar\u00bb, o juiz, \u00abexcecionalmente e a requerimento do executado\u00bb, reduza a parte penhor\u00e1vel \u00abpor per\u00edodo que considere razo\u00e1vel\u00bb e mesmo, \u00abpor per\u00edodo n\u00e3o superior a um ano\u00bb, a isente de penhora (art. 738.\u00ba, n.\u00ba 6).<\/p>\n<p>O pedido deve mostrar a situa\u00e7\u00e3o real da fam\u00edlia: rendimentos, filhos ou outras pessoas a cargo, renda ou presta\u00e7\u00e3o da casa, despesas de sa\u00fade. N\u00e3o h\u00e1 garantia de que seja aceite; o juiz pondera tamb\u00e9m a natureza da d\u00edvida.<\/p>\n<h2>A penhora do ordenado e a conta banc\u00e1ria somam-se?<\/h2>\n<p>N\u00e3o. Na penhora de saldo banc\u00e1rio fica protegido o valor de um sal\u00e1rio m\u00ednimo (art. 738.\u00ba, n.\u00ba 5), mas a lei diz que \u00abn\u00e3o s\u00e3o cumul\u00e1veis as impenhorabilidades previstas nos n.os 1 e 5\u00bb (art. 738.\u00ba, n.\u00ba 7). Ou seja, n\u00e3o pode somar a prote\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da conta para onde esse sal\u00e1rio \u00e9 transferido.<\/p>\n<p>Os detalhes da penhora de contas, de casa e de outros bens est\u00e3o no artigo <a href=\"https:\/\/asesor.legal\/pt\/blog\/o-que-pode-ser-penhorado\/\">o que pode e o que n\u00e3o pode ser penhorado<\/a>.<\/p>\n<h2>Trabalhadores independentes: como se calcula?<\/h2>\n<p>Para quem passa recibos nas atividades da tabela do art. 151.\u00ba do C\u00f3digo do IRS, a parte l\u00edquida \u00e9 calculada aplicando o coeficiente 0,75 ao total pago, sem IVA, e os limites s\u00e3o apurados globalmente em cada m\u00eas pela entidade que paga (art. 738.\u00ba, n.\u00ba 8, als. a) e b)). Esta regra s\u00f3 se aplica a quem, nesse m\u00eas, n\u00e3o recebe sal\u00e1rio, pens\u00e3o ou presta\u00e7\u00e3o equivalente (al. f)).<\/p>\n<p class=\"nota\">Exemplo ilustrativo (2026, continente, sem outros rendimentos): recibos de 2 000 \u20ac sem IVA. Parte l\u00edquida: 0,75 \u00d7 2 000 \u20ac = 1 500 \u20ac. Dois ter\u00e7os: 1 000 \u20ac, entre o m\u00ednimo de 920 \u20ac e o m\u00e1ximo de 2 760 \u20ac. Parte penhor\u00e1vel: 500 \u20ac.<\/p>\n<h2>O que faz o empregador?<\/h2>\n<p>O empregador \u00e9 notificado para descontar o valor penhorado e deposit\u00e1-lo, \u00e0 ordem do agente de execu\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=1959&amp;artigo_id=1959A0779\" rel=\"noopener\">CPC, art. 779.\u00ba, n.os 1 e 2<\/a>). As quantias ficam indispon\u00edveis at\u00e9 terminar o prazo de oposi\u00e7\u00e3o ou, havendo oposi\u00e7\u00e3o, at\u00e9 \u00e0 decis\u00e3o final.<\/p>\n<p>O empregador n\u00e3o decide se a d\u00edvida existe. Tem de cumprir a ordem e respeitar os limites; se n\u00e3o o fizer, pode ser executado como \u00abinfiel deposit\u00e1rio\u00bb das quantias (art. 738.\u00ba, n.\u00ba 9).<\/p>\n<h2>Quando falar com um advogado<\/h2>\n<p>A conta parece simples, mas h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que vale a pena ter apoio:<\/p>\n<ul>\n<li>o desconto no recibo \u00e9 superior ao que resulta da tabela acima, ou incide sobre o subs\u00eddio de f\u00e9rias ou de Natal e n\u00e3o percebe porqu\u00ea;<\/li>\n<li>tem filhos ou outras pessoas a cargo e quer pedir ao juiz a redu\u00e7\u00e3o da penhora;<\/li>\n<li>h\u00e1 v\u00e1rias penhoras ao mesmo tempo, ou penhora do sal\u00e1rio e da conta banc\u00e1ria;<\/li>\n<li>a d\u00edvida \u00e9 de alimentos e a parte que lhe fica n\u00e3o chega para viver;<\/li>\n<li>n\u00e3o reconhece a d\u00edvida ou acha que j\u00e1 est\u00e1 paga ou prescrita.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Os prazos para reagir contam-se em dias, a partir da notifica\u00e7\u00e3o. A <a href=\"https:\/\/asesor.legal\/pt\/calculadoras\/prazos-processuais\/\">calculadora de prazos processuais<\/a> ajuda a contar o prazo. Se n\u00e3o tem meios para pagar a um advogado, veja como pedir um <a href=\"https:\/\/asesor.legal\/pt\/blog\/advogado-oficioso\/\">advogado oficioso<\/a>. Para encontrar um profissional, consulte a nossa p\u00e1gina de <a href=\"https:\/\/asesor.legal\/pt\/advogados\/\">advogados em Portugal<\/a>.<\/p>\n<section class=\"faq\">\n<h2>Perguntas frequentes<\/h2>\n<details>\n<summary>Qual \u00e9 o limite da penhora do ordenado em 2026?<\/summary>\n<p>Em regra, s\u00f3 um ter\u00e7o do sal\u00e1rio l\u00edquido pode ser penhorado. A parte protegida tem um m\u00ednimo de um sal\u00e1rio m\u00ednimo (920 \u20ac no continente em 2026), se n\u00e3o tiver outro rendimento, e um m\u00e1ximo de tr\u00eas (2 760 \u20ac) (CPC, art. 738.\u00ba, n.os 1 e 3; DL n.\u00ba 139\/2025).<\/p>\n<\/details>\n<details>\n<summary>Podem penhorar o ordenado m\u00ednimo?<\/summary>\n<p>Se o sal\u00e1rio m\u00ednimo for o seu \u00fanico rendimento e a d\u00edvida n\u00e3o for de alimentos, a regra geral protege o valor de um sal\u00e1rio m\u00ednimo, pelo que n\u00e3o h\u00e1 parte penhor\u00e1vel (CPC, art. 738.\u00ba, n.\u00ba 3).<\/p>\n<\/details>\n<details>\n<summary>Pode haver penhora abaixo do ordenado m\u00ednimo?<\/summary>\n<p>S\u00f3 em casos especiais: quando tem outros rendimentos, porque o m\u00ednimo protegido depende de n\u00e3o ter outro rendimento, ou quando a d\u00edvida \u00e9 de alimentos, em que s\u00f3 fica protegido o valor da pens\u00e3o social do regime n\u00e3o contributivo (CPC, art. 738.\u00ba, n.os 3 e 4).<\/p>\n<\/details>\n<details>\n<summary>A penhora do ordenado abrange o subs\u00eddio de f\u00e9rias?<\/summary>\n<p>O art. 738.\u00ba do CPC n\u00e3o tem regra espec\u00edfica para os subs\u00eddios de f\u00e9rias e de Natal; os limites aplicam-se \u00ab\u00e0 data de cada apreens\u00e3o\u00bb. Se o desconto no m\u00eas do subs\u00eddio lhe parecer excessivo, pe\u00e7a o c\u00e1lculo e aconselhe-se.<\/p>\n<\/details>\n<details>\n<summary>O que conta para o sal\u00e1rio l\u00edquido na penhora?<\/summary>\n<p>Apenas os descontos legalmente obrigat\u00f3rios, como o IRS retido e as contribui\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias para a Seguran\u00e7a Social (CPC, art. 738.\u00ba, n.\u00ba 2). Descontos volunt\u00e1rios n\u00e3o reduzem a base.<\/p>\n<\/details>\n<details>\n<summary>Existe um simulador oficial da penhora de vencimento?<\/summary>\n<p>O art. 738.\u00ba do CPC n\u00e3o remete para nenhum simulador. Pode fazer a conta com a f\u00f3rmula do art. 738.\u00ba do CPC, como nos exemplos deste artigo, e pedir ao agente de execu\u00e7\u00e3o ou ao servi\u00e7o de Finan\u00e7as o c\u00e1lculo concreto.<\/p>\n<\/details>\n<\/section>\n<section class=\"fontes\">\n<h2>Legisla\u00e7\u00e3o e fontes<\/h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=1959&amp;artigo_id=1959A0738\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo de Processo Civil, art. 738.\u00ba (bens parcialmente penhor\u00e1veis)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=1959&amp;artigo_id=1959A0779\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo de Processo Civil, art. 779.\u00ba (penhora de vencimentos e rendimentos peri\u00f3dicos)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/files.diariodarepublica.pt\/1s\/2025\/12\/24900\/0001400016.pdf\" rel=\"noopener\">Decreto-Lei n.\u00ba 139\/2025, de 29 de dezembro (retribui\u00e7\u00e3o m\u00ednima mensal garantida para 2026)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=256&amp;artigo_id=256A0227\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo de Procedimento e de Processo Tribut\u00e1rio, art. 227.\u00ba (penhora de sal\u00e1rios na execu\u00e7\u00e3o fiscal)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Informa\u00e7\u00e3o consultada a 27 de outubro de 2026.<\/p>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quanto do sal\u00e1rio pode ser penhorado: dois ter\u00e7os impenhor\u00e1veis, m\u00ednimo de um e m\u00e1ximo de tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos, alimentos, subs\u00eddios e redu\u00e7\u00e3o pelo juiz.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_alpt_intencao":"penhora do ordenado limite","_alpt_guia_pilar":"","_alpt_revisor":"","_alpt_noindex":"","_alpt_gemela_es":"","_alpt_llms_optional":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"area":[15],"cidade":[],"class_list":["post-98","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","area-dividas-e-penhoras"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=98"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/98\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=98"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=98"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=98"},{"taxonomy":"area","embeddable":true,"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area?post=98"},{"taxonomy":"cidade","embeddable":true,"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/cidade?post=98"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}