{"id":81,"date":"2026-10-27T15:25:34","date_gmt":"2026-10-27T15:25:34","guid":{"rendered":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/blog\/deserdar-um-filho\/"},"modified":"2026-10-27T15:25:46","modified_gmt":"2026-10-27T15:25:46","slug":"deserdar-um-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/blog\/deserdar-um-filho\/","title":{"rendered":"\u00c9 poss\u00edvel deserdar um filho em Portugal?"},"content":{"rendered":"<aside class=\"resposta-rapida\">\n<h2>Resposta r\u00e1pida<\/h2>\n<ul>\n<li>\u00c9 poss\u00edvel, mas s\u00f3 em <strong>testamento<\/strong>, com <strong>declara\u00e7\u00e3o expressa da causa<\/strong> e apenas nos tr\u00eas casos do art. 2166.\u00ba do C\u00f3digo Civil.<\/li>\n<li>Os casos s\u00e3o: condena\u00e7\u00e3o por <strong>crime doloso<\/strong> contra o pai ou a m\u00e3e (ou familiares pr\u00f3ximos) com pena superior a seis meses de pris\u00e3o; condena\u00e7\u00e3o por <strong>den\u00fancia caluniosa ou falso testemunho<\/strong> contra essas pessoas; ou <strong>recusa de alimentos<\/strong> sem justa causa.<\/li>\n<li>M\u00e1 rela\u00e7\u00e3o, falta de contacto ou desentendimentos n\u00e3o est\u00e3o, por si, nessa lista.<\/li>\n<li>O filho deserdado pode <strong>impugnar<\/strong> a deserda\u00e7\u00e3o no prazo de <strong>dois anos<\/strong> a contar da abertura do testamento (art. 2167.\u00ba).<\/li>\n<li>Diferente \u00e9 a <strong>indignidade<\/strong> (art. 2034.\u00ba), que n\u00e3o depende de testamento e se declara em tribunal.<\/li>\n<\/ul>\n<\/aside>\n<p>H\u00e1 pais que, por zangas antigas ou por um comportamento grave de um filho, querem garantir que ele n\u00e3o recebe nada da heran\u00e7a. Em Portugal isso \u00e9 muito mais dif\u00edcil do que parece: os filhos s\u00e3o herdeiros legitim\u00e1rios e t\u00eam direito a uma parte da heran\u00e7a que o testamento n\u00e3o pode afastar. Neste artigo explicamos quando a lei permite deserdar um filho, como se faz, como pode ser contestado e qual a diferen\u00e7a para a indignidade, com base no C\u00f3digo Civil consultado a 27 de outubro de 2026.<\/p>\n<p>Para o quadro geral da divis\u00e3o dos bens, consulte a nossa <a href=\"https:\/\/asesor.legal\/pt\/guias\/partilha-de-heranca\/\">guia sobre a partilha de heran\u00e7a<\/a>.<\/p>\n<h2>Posso deserdar um filho em testamento?<\/h2>\n<p>S\u00f3 se se verificar uma das causas previstas na lei e se o declarar expressamente no testamento. O C\u00f3digo Civil diz que o autor da sucess\u00e3o \u00abpode em testamento, com expressa declara\u00e7\u00e3o da causa, deserdar o herdeiro legitim\u00e1rio, privando-o da leg\u00edtima, quando se verifique alguma das seguintes ocorr\u00eancias\u00bb (<a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2166\" rel=\"noopener\">art. 2166.\u00ba, n.\u00ba 1<\/a>).<\/p>\n<p>Daqui resultam tr\u00eas requisitos:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Testamento<\/strong>: a deserda\u00e7\u00e3o n\u00e3o se faz por carta, declara\u00e7\u00e3o particular ou conversa com os outros filhos. Tem de constar de um testamento v\u00e1lido. Veja <a href=\"https:\/\/asesor.legal\/pt\/blog\/como-fazer-testamento\/\">como fazer um testamento<\/a>.<\/li>\n<li><strong>Causa expressa<\/strong>: o testamento tem de dizer qual \u00e9 o motivo.<\/li>\n<li><strong>Causa legal<\/strong>: o motivo tem de ser um dos que a lei enumera.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Porque \u00e9 t\u00e3o restrito? Porque os filhos s\u00e3o herdeiros legitim\u00e1rios (<a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2156\" rel=\"noopener\">art. 2157.\u00ba<\/a>) e a leg\u00edtima \u00e9 \u00aba por\u00e7\u00e3o de bens de que o testador n\u00e3o pode dispor\u00bb (art. 2156.\u00ba). Saiba mais em <a href=\"https:\/\/asesor.legal\/pt\/blog\/herdeiros-legitimarios\/\">quem s\u00e3o os herdeiros legitim\u00e1rios<\/a>.<\/p>\n<h2>Quais s\u00e3o as causas de deserda\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>S\u00e3o tr\u00eas, todas ligadas a comportamentos graves do filho contra o pai, a m\u00e3e ou a fam\u00edlia pr\u00f3xima:<\/p>\n<div class=\"tabela\">\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th>Causa (art. 2166.\u00ba, n.\u00ba 1)<\/th>\n<th>O que exige a lei<\/th>\n<th>Precisa de condena\u00e7\u00e3o?<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>a) Crime doloso<\/td>\n<td>Crime doloso contra a pessoa, bens ou honra do autor da sucess\u00e3o, do seu c\u00f4njuge, de algum descendente, ascendente, adotante ou adotado, com pena superior a seis meses de pris\u00e3o<\/td>\n<td>Sim<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>b) Den\u00fancia caluniosa ou falso testemunho<\/td>\n<td>Contra as mesmas pessoas<\/td>\n<td>Sim<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>c) Recusa de alimentos<\/td>\n<td>Recusa, sem justa causa, dos alimentos devidos ao autor da sucess\u00e3o ou ao seu c\u00f4njuge<\/td>\n<td>A norma n\u00e3o o exige<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>Nas duas primeiras, a lei fala em \u00abter sido o sucess\u00edvel condenado\u00bb. Ou seja, n\u00e3o basta que o pai ou a m\u00e3e acuse o filho de um crime: \u00e9 preciso uma condena\u00e7\u00e3o. Na terceira, a lei refere a recusa \u00absem justa causa\u00bb dos \u00abdevidos alimentos\u00bb, o que pressup\u00f5e que o filho tinha a obriga\u00e7\u00e3o de os prestar.<\/p>\n<h2>Posso deserdar um filho por n\u00e3o falar comigo ou por me ter abandonado?<\/h2>\n<p>Em regra, n\u00e3o. A falta de contacto, as zangas familiares ou a ingratid\u00e3o n\u00e3o constam da lista do art. 2166.\u00ba. A \u00fanica causa que pode ter rela\u00e7\u00e3o com o abandono \u00e9 a recusa de alimentos devidos, sem justa causa; se se aplica ou n\u00e3o depende das circunst\u00e2ncias concretas, e conv\u00e9m analis\u00e1-las com um advogado antes de fazer o testamento.<\/p>\n<p>O que a lei permite, sem deserdar, \u00e9 <strong>beneficiar os outros<\/strong>. Quem tem filhos pode deixar a quota dispon\u00edvel (um ter\u00e7o ou metade da heran\u00e7a, conforme o caso) a quem quiser, incluindo aos outros filhos. O filho com quem n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o recebe apenas a sua parte da leg\u00edtima. As contas est\u00e3o em <a href=\"https:\/\/asesor.legal\/pt\/blog\/quota-disponivel-testamento\/\">quanto posso deixar em testamento a quem quiser<\/a>.<\/p>\n<p>Doar tudo em vida tamb\u00e9m n\u00e3o resolve: as doa\u00e7\u00f5es contam para o c\u00e1lculo da leg\u00edtima e as que a ofendam podem ser reduzidas a pedido dos herdeiros legitim\u00e1rios (<a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2162\" rel=\"noopener\">art. 2162.\u00ba<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2168\" rel=\"noopener\">arts. 2168.\u00ba e 2169.\u00ba<\/a>).<\/p>\n<h2>Que efeitos tem a deserda\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>O filho deserdado perde a leg\u00edtima e \u00e9 tratado como indigno. A lei diz que \u00abo deserdado \u00e9 equiparado ao indigno para todos os efeitos legais\u00bb (<a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2166\" rel=\"noopener\">art. 2166.\u00ba, n.\u00ba 2<\/a>).<\/p>\n<p>Isto tem uma consequ\u00eancia que surpreende muitas fam\u00edlias: os <strong>netos<\/strong> podem ocupar o lugar do filho deserdado. Para o indigno, a lei prev\u00ea que \u00abna sucess\u00e3o legal, a incapacidade do indigno n\u00e3o prejudica o direito de representa\u00e7\u00e3o dos seus descendentes\u00bb (<a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2037\" rel=\"noopener\">art. 2037.\u00ba, n.\u00ba 2<\/a>), e a sucess\u00e3o legitim\u00e1ria \u00e9 uma forma de sucess\u00e3o legal (art. 2027.\u00ba). Os filhos do deserdado podem, assim, vir a receber a leg\u00edtima que lhe caberia. A aplica\u00e7\u00e3o concreta deve ser confirmada caso a caso.<\/p>\n<p>O pai ou a m\u00e3e tamb\u00e9m podem voltar atr\u00e1s: o testamento \u00e9 revog\u00e1vel, e a lei permite reabilitar expressamente o indigno em testamento ou escritura p\u00fablica (<a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2038\" rel=\"noopener\">art. 2038.\u00ba<\/a>).<\/p>\n<h2>Como pode um filho contestar a deserda\u00e7\u00e3o?<\/h2>\n<p>Atrav\u00e9s de uma a\u00e7\u00e3o de impugna\u00e7\u00e3o, a intentar no prazo de dois anos a contar da abertura do testamento. A lei diz que \u00aba ac\u00e7\u00e3o de impugna\u00e7\u00e3o da deserda\u00e7\u00e3o, com fundamento na inexist\u00eancia da causa invocada, caduca ao fim de dois anos a contar da abertura do testamento\u00bb (<a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2166\" rel=\"noopener\">art. 2167.\u00ba<\/a>).<\/p>\n<p>O fundamento previsto \u00e9 a inexist\u00eancia da causa: por exemplo, o testamento invoca uma condena\u00e7\u00e3o que n\u00e3o existe, ou uma recusa de alimentos que n\u00e3o aconteceu ou tinha justa causa. Se o testamento n\u00e3o indicar causa, ou indicar uma que n\u00e3o est\u00e1 na lei, a deserda\u00e7\u00e3o n\u00e3o cumpre os requisitos do art. 2166.\u00ba.<\/p>\n<p>Se o filho n\u00e3o sabe se h\u00e1 testamento, o primeiro passo \u00e9 pedir a certid\u00e3o: veja <a href=\"https:\/\/asesor.legal\/pt\/blog\/saber-se-existe-testamento\/\">como saber se existe testamento<\/a>. O prazo \u00e9 curto e, uma vez passado, a a\u00e7\u00e3o caduca.<\/p>\n<h2>Como podem os herdeiros perder o direito \u00e0 heran\u00e7a? A indignidade<\/h2>\n<p>Al\u00e9m da deserda\u00e7\u00e3o, a lei prev\u00ea a indignidade sucess\u00f3ria, que n\u00e3o depende da vontade do falecido. Carecem de capacidade sucess\u00f3ria, por indignidade (<a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2034\" rel=\"noopener\">art. 2034.\u00ba<\/a>):<\/p>\n<ul>\n<li>o condenado como autor ou c\u00famplice de homic\u00eddio doloso, ainda que n\u00e3o consumado, contra o autor da sucess\u00e3o ou o seu c\u00f4njuge, descendente, ascendente, adotante ou adotado;<\/li>\n<li>o condenado por den\u00fancia caluniosa ou falso testemunho contra as mesmas pessoas, relativamente a crime com pena de pris\u00e3o superior a dois anos;<\/li>\n<li>quem, por dolo ou coa\u00e7\u00e3o, levou o autor da sucess\u00e3o a fazer, revogar ou modificar o testamento, ou o impediu de o fazer;<\/li>\n<li>quem dolosamente subtraiu, ocultou, inutilizou, falsificou ou suprimiu o testamento, ou se aproveitou disso.<\/li>\n<\/ul>\n<div class=\"tabela\">\n<table>\n<thead>\n<tr>\n<th><\/th>\n<th>Deserda\u00e7\u00e3o<\/th>\n<th>Indignidade<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Quem decide<\/td>\n<td>O autor da sucess\u00e3o, em testamento<\/td>\n<td>O tribunal, em a\u00e7\u00e3o de declara\u00e7\u00e3o de indignidade<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>A quem se aplica<\/td>\n<td>S\u00f3 a herdeiros legitim\u00e1rios<\/td>\n<td>A qualquer sucessor<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Causas<\/td>\n<td>Art. 2166.\u00ba, n.\u00ba 1<\/td>\n<td>Art. 2034.\u00ba<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Prazo<\/td>\n<td>Impugna\u00e7\u00e3o: 2 anos desde a abertura do testamento (art. 2167.\u00ba)<\/td>\n<td>A\u00e7\u00e3o: 2 anos desde a abertura da sucess\u00e3o, ou 1 ano desde a condena\u00e7\u00e3o ou o conhecimento das causas c) e d) (art. 2036.\u00ba, n.\u00ba 1)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p>A condena\u00e7\u00e3o que fundamenta a indignidade pode ser posterior \u00e0 morte, mas s\u00f3 conta o crime anterior (<a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2034\" rel=\"noopener\">art. 2035.\u00ba, n.\u00ba 1<\/a>). Se o \u00fanico herdeiro for o pr\u00f3prio indigno, cabe ao Minist\u00e9rio P\u00fablico intentar a a\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2036\" rel=\"noopener\">art. 2036.\u00ba, n.\u00ba 2<\/a>). Declarada a indignidade, a lei considera que o indigno nunca foi chamado \u00e0 heran\u00e7a e trata-o como possuidor de m\u00e1 f\u00e9 dos bens (art. 2037.\u00ba, n.\u00ba 1).<\/p>\n<h2>Quando falar com um advogado<\/h2>\n<p>A deserda\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das mat\u00e9rias mais delicadas do direito sucess\u00f3rio, e um testamento mal feito pode n\u00e3o produzir o efeito pretendido. Pode fazer sentido ouvir um advogado quando:<\/p>\n<ul>\n<li>pensa deserdar um filho e quer saber se a situa\u00e7\u00e3o cabe numa das causas legais;<\/li>\n<li>existe uma condena\u00e7\u00e3o, ou um processo-crime ainda pendente, contra um filho;<\/li>\n<li>quer beneficiar outros filhos ou netos sem violar a leg\u00edtima;<\/li>\n<li>foi deserdado e quer saber se a causa invocada existe, tendo em conta o prazo de dois anos;<\/li>\n<li>suspeita que um herdeiro ocultou ou falsificou o testamento, ou pressionou o falecido.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Encontre um profissional na nossa p\u00e1gina de <a href=\"https:\/\/asesor.legal\/pt\/advogados\/\">advogados em Portugal<\/a>.<\/p>\n<section class=\"faq\">\n<h2>Perguntas frequentes<\/h2>\n<details>\n<summary>Em testamento posso deserdar um filho?<\/summary>\n<p>S\u00f3 com declara\u00e7\u00e3o expressa da causa e apenas nos casos do art. 2166.\u00ba, n.\u00ba 1, do C\u00f3digo Civil: certos crimes dolosos, den\u00fancia caluniosa ou falso testemunho, ou recusa de alimentos sem justa causa.<\/p>\n<\/details>\n<details>\n<summary>Como podem os herdeiros perder o direito \u00e0 heran\u00e7a?<\/summary>\n<p>Por deserda\u00e7\u00e3o em testamento (art. 2166.\u00ba) ou por declara\u00e7\u00e3o judicial de indignidade (arts. 2034.\u00ba e 2036.\u00ba). O c\u00f4njuge tamb\u00e9m n\u00e3o herda se estiver divorciado ou separado judicialmente (art. 2133.\u00ba, n.\u00ba 3).<\/p>\n<\/details>\n<details>\n<summary>Qual o prazo para impugnar uma deserda\u00e7\u00e3o?<\/summary>\n<p>Dois anos a contar da abertura do testamento, com fundamento na inexist\u00eancia da causa invocada (C\u00f3digo Civil, art. 2167.\u00ba).<\/p>\n<\/details>\n<details>\n<summary>Os netos herdam se o filho for deserdado?<\/summary>\n<p>O deserdado \u00e9 equiparado ao indigno, e a lei prev\u00ea que a incapacidade do indigno n\u00e3o prejudica o direito de representa\u00e7\u00e3o dos seus descendentes na sucess\u00e3o legal (C\u00f3digo Civil, arts. 2037.\u00ba, n.\u00ba 2, e 2166.\u00ba, n.\u00ba 2).<\/p>\n<\/details>\n<details>\n<summary>Posso deixar menos a um filho sem o deserdar?<\/summary>\n<p>Sim. Pode deixar a quota dispon\u00edvel a outras pessoas, incluindo outros filhos. O filho mant\u00e9m apenas a sua parte da leg\u00edtima (C\u00f3digo Civil, arts. 2156.\u00ba e 2159.\u00ba).<\/p>\n<\/details>\n<details>\n<summary>A deserda\u00e7\u00e3o pode ser anulada?<\/summary>\n<p>O testador pode revogar o testamento ou reabilitar o deserdado em testamento ou escritura p\u00fablica (arts. 2038.\u00ba e 2311.\u00ba). O filho pode impugn\u00e1-la no prazo de dois anos (art. 2167.\u00ba).<\/p>\n<\/details>\n<\/section>\n<section class=\"fontes\">\n<h2>Legisla\u00e7\u00e3o e fontes<\/h2>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2024\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo Civil, arts. 2024.\u00ba a 2029.\u00ba (sucess\u00e3o legal: leg\u00edtima e legitim\u00e1ria)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2034\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo Civil, arts. 2034.\u00ba e 2035.\u00ba (incapacidade por indignidade)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2036\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo Civil, art. 2036.\u00ba (declara\u00e7\u00e3o de indignidade)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2037\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo Civil, arts. 2037.\u00ba e 2038.\u00ba (efeitos da indignidade e reabilita\u00e7\u00e3o)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2156\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo Civil, arts. 2156.\u00ba a 2161.\u00ba (leg\u00edtima)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2166\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo Civil, arts. 2166.\u00ba e 2167.\u00ba (deserda\u00e7\u00e3o e impugna\u00e7\u00e3o)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2168\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo Civil, arts. 2168.\u00ba a 2171.\u00ba (redu\u00e7\u00e3o de liberalidades inoficiosas)<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.pgdlisboa.pt\/leis\/lei_mostra_articulado.php?tabela=leis&amp;so_miolo=&amp;nid=775&amp;artigo_id=775A2311\" rel=\"noopener\">C\u00f3digo Civil, art. 2311.\u00ba (revoga\u00e7\u00e3o do testamento)<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Informa\u00e7\u00e3o consultada a 27 de outubro de 2026.<\/p>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As tr\u00eas causas de deserda\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Civil, como se faz em testamento, o prazo de dois anos para impugnar e a diferen\u00e7a para a indignidade.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_alpt_intencao":"deserdar um filho","_alpt_guia_pilar":"75","_alpt_revisor":"","_alpt_noindex":"","_alpt_gemela_es":"","_alpt_llms_optional":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"area":[9],"cidade":[],"class_list":["post-81","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized","area-herancas-e-partilhas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":82,"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81\/revisions\/82"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81"},{"taxonomy":"area","embeddable":true,"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/area?post=81"},{"taxonomy":"cidade","embeddable":true,"href":"https:\/\/asesor.legal\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/cidade?post=81"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}